O orgulho e os desafios de ser um barista



Profissional responsável por preparar e servir cafés, além de desenvolver bebidas com licores e cremes. Aquele que precisa ter profundo entendimento sobre a história do café, as características dos grãos, os processos de plantio, colheita, torra e moagem, além de conhecimento de detalhes da extração da bebida, ou seja, toda a cadeia produtiva. Este é o barista, profissional especializado em cafés e seus derivados.


O nome, antes pouco conhecido, com o tempo tomou grande proporção de divulgação no Brasil e no mundo. Desde que os operadores das máquinas de espresso foram nomeados de baristas, e a presença dos apreciadores de cafés começou a se tornar maior nas cafeterias, o termo ficou conhecido pelos consumidores, que ficam cada vez mais curiosos e carentes de informações. O termo é italiano e, na Itália, os atendentes servem desde espresso até bebida alcoólica. O barista manipula uma máquina profissional, com pressão de 8 a 9 Bar, uma unidade de medida. Alguns acreditam que esse é o grande motivo para o surgimento do nome – “Barista”.


HABILIDADES

“O barista tem a responsabilidade de transmitir o conceito de qualidade para quem aprecia a bebida. Precisa gostar de café e se profissionalizar. Conhecer desde a sua origem até chegar à xícara.” É dessa forma que a barista, consultora e mentora

dos negócios de café Alba Barroso resume a profissão. Além disso, ela também destaca as diversas habilidades que o profissional precisa ter para lidar com o café: ser determinado, persistente, organizado, atencioso e, claro, um bom conhecedor da bebida.


Levando em consideração toda a complexidade dos cafés especiais, Maycon Alves, barista e gestor de negócios, defende a importância do profissional para apresentar ao consumidor todo o trabalho por trás da produção da bebida e aquilo que a envolve, como sabores, notas e aromas. “A grande maioria das pessoas no Brasil ainda não tiveram contato com o café especial. Ainda somos um país de café tradicional. As pessoas falam que amam café, mas na verdade elas consomem um de baixa qualidade”, afirma, reforçando a importância de apresentar devidamente o café especial.


O barista Gabriel Guimarães, da Unique Cafés, explica que não se trata só da pessoa que faz café e, sim, de quem leva dinheiro para a cafeteria: “Fazer café é fácil, qualquer pessoa pode fazer após um treinamento. O difícil é manter a qualidade daquele café e agregar valor na hora de vender. Então, o barista que tem conhecimento tem condições de fazer isso atendendo clientes e não apenas atrás da máquina.” Léo Moço, barista do Café do Moço, completa dizendo que as pessoas já estão entendendo que a função do barista vai além de preparar o café. “É preciso saber sobre produção, sabores, experiências com a xícara, torra, entre outros detalhes. O barista tem uma influência direta na cadeia produtiva do café. Ele tem contato direto com o produtor e pode, inclusive, interferir nos processos realizados nas fazendas, para obter notas e cafés personalizados para as cafeterias.”


FORMAÇÃO

A profissão foi regulamentada pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público apenas em novembro de 2015. Para ser barista, é necessário ser maior de 18 anos, ter ensino médio completo e fazer um curso de especialização na área, em instituições ou com profissionais do setor. Algumas das disciplinas ministradas são: História do Café; Regiões Produtoras de Café no Mundo; Cafés Especiais; Processo Produtivo; Equipamentos; Espressos e Vaporização do Leite. Mesmo assim os cursos disponíveis no mercado precisam ser profissionalizados e regulamentado no Brasil.


Para o barista Henrique Pin, a formação ainda está muito focada no serviço. Ele diz que falta para o recém-formado o entendimento do próprio café: “Temos um mercado grande, mas as formações são muito rasas ainda. Espero ver, no futuro, uma faculdade para especialistas em café. Muitas pessoas nos procuram para saber o que estudar, onde estudar, qual curso fazer.” Maycon Alves ressalta que é necessário ir além do conhecimento do produto. “Muitos se dizem baristas após fazerem um curso simples de dois a três dias e mal sabem extrair o melhor de um café e ainda menos atender ao consumidor. O barista capacitado precisa atender bem e de maneira correta, saber que cada um tem um paladar e uma demanda de produto”, afirma.


MERCADO DE TRABALHO

O barista pode trabalhar em qualquer local onde o café seja servido, geralmente em cafeterias, confeitarias, restaurantes, bares e hotéis. Diversos profissionais falam sobre o quanto a profissão é desafiadora, diante da baixa remuneração e do elevado esforço que é preciso fazer para se tornar referência no setor. A profissão foi reconhecida pelo Código Brasileiro de Ocupação em 2013, porém, ainda não dispõe de um sindicato que lute por seus direitos, o que faz com que muitas carteiras não sejam assinadas com a função barista, mas sim, como atendente. O salário mensal médio pago a esse profissional é de R$ 1.300,00. Ele trabalha cerca de 8 horas por dia e, além do preparo de cafés, também atua na organização do estoque e do espaço de trabalho e na higienização de louças e equipamentos usados em seu dia a dia.


Em geral, a profissão não é tão difundida no Brasil quanto no exterior, onde é mais divulgada e reconhecida. No entanto, já temos muitos baristas brasileiros que conseguiram premiações em concursos nacionais e internacionais, além de terem conquistado o respeito dos apreciadores do bom café. A profissão tende a crescer, uma vez que o café é uma bebida muito consumida mundialmente.


O barista Osnei Cesarino, do Annez Coffee, conta que os campeonatos realizados na área ajudam a promover o reconhecimento e a qualificação dos profissionais: “Para formação, gosto de relacionar como referência a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), que regulamenta a padronização do serviço e também as competições. Desta forma, o barista tem um direcionamento.”


Com isso, é possível concluir que, apesar da importância dos baristas para que o café seja apreciado da melhor maneira pelos consumidores, a profi