Cooxupé recebe volume recorde de café


A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) está recebendo um volume recorde de café nesta safra 2018/2019. A meta da maior cooperativa de café do país era receber 5,75 milhões de sacas, mas o volume deverá alcançar 6,4 milhões, segundo o superintendente comercial, Lúcio Dias de Araújo. Até agora, a Cooxupé recebeu 6,3 milhões de sacas de café arábica.


“A produção maior na atual temporada, o aumento do número de cooperados nos últimos anos e a falta de liquidez de outros players do segmento explicam o resultado”, disse Araújo num intervalo do 26º Encontro Nacional das Indústrias de Café (Encafé), que aconteceu em Puntadel Este, no Uruguai, do dia 25 a 29 de novembro.


Na safra 2017/2018, que teve bienalidade negativa e foi afetada por problemas climáticos, as entregas à cooperativa somaram 4,6 milhões de sacas de café. O recorde anterior de recebimento havia sido em 2015/2016, quando a Cooxupé recebeu 6,280 milhões de sacas.

Dentre as 6,4 milhões de sacas esperadas, 5 milhões são de cooperados e o restante de terceiros, de acordo com Araújo. Em entrevista ao Valor no fim de setembro, o presidente da Cooxupé, Carlos Alberto Paulino da Costa, havia admitido que a meta de recebimento poderia ser superada.


Embora não seja um “fator preponderante” em relação aos recebimentos de café pela cooperativa, o comportamento do dólar levou a Cooxupé a bater outro recorde: o de comercialização da commodity em apenas um dia. No dia 15 de outubro, após o primeiro turno das eleições presidenciais, quando o dólar bateu a marca de R$ 3,73, a comercialização de café pela cooperativa somou 275 mil sacas. Ou seja, em apenas um dia produtores buscaram a Cooxupé para negociar esse volume. “Houve negócios a R$ 500 por saca para entrega em 2019, a R$ 535 para entrega em 2020 e a R$ 575 para 2021”, disse Araújo.


Enquanto o recebimento deve bater recorde, a exportação de café pela Cooxupé não deve atingir a meta de 4 a 4,2 milhões de sacas neste ano, segundo o executivo. Ele explicou que o baixo volume de café no mercado no início do ano e o atraso nos embarques por causa de problemas na contratação de frete internacional pelos clientes da cooperativa devem impedir que o objetivo seja alcançado. Assim, as vendas externas devem ficar entre 3,8 e 3,9 milhões de sacas. No ano passado, os embarques da maior exportadora de café do país alcançaram o total de 4,1 milhões de sacas.


Araújo hesita em fazer prognósticos para a próxima safra, a 2019/2020, pois não há informações consolidadas sobre a florada, ainda em curso em algumas regiões produtoras. De uma maneira preliminar, ele avaliou que a produção de arábica no país deve ficar entre 35 e 37 milhões de sacas, ou seja, 20% inferior à de 2018/2019, quando alcançou 45 milhões de sacas. Além de a próxima safra ser de bienalidade negativa, a florada “não teve um bom pagamento” em algumas regiões, justificou.


Fonte: Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

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