Consumo de café dribla incertezas e volta a crescer


Apesar de todas as incertezas que cercaram a política e a economia no Brasil em 2018, o consumo de café no país deverá crescer de 3% a 3,5% em relação ao ano passado e somará 22,9 milhões de sacas, de acordo com projeção da Euromonitor International apresentada no dia 27 de novembro, durante o 26º Encontro Nacional das Indústrias de Café (Encafé), em PuntaDel Este, no Uruguai.


Segundo a empresa de pesquisas de mercados, o Brasil lidera a demanda global, com uma participação no volume total que gira em torno de 16%. Os números incluem as diferentes categorias de café (torrado e moído, grãos, cápsulas e solúvel), consumidas dentro e fora de casa. “Mesmo com a crise econômica, o consumo continuou forte. Enquanto todas as outras categorias [de bebidas] tiveram queda, o café foiresiliente”, ressalta Angélica Salado, analista sênior de bebidas da Euromonitor.


A demanda no mercado brasileiro representa um consumo médio anual per capita de 839 xícaras de 40 ml, segundo a Euromonitor. Pelos números da empresa, que excluem as bebidas à base de café prontas para beber, o Brasil é o maior consumidor de café do mundo, à frente dos Estados Unidos. A Organização Internacional do Café (OIC), o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e a Abic, que utilizam metodologias de cálculo diferentes, consideram que o país se mantém em segundo lugar.


Na visão de Angélica, os números mostram que o que foi determinante para o crescimento da demanda não foi o comportamento do PIB do país, nem os preços praticados. “Foi a capacidade da indústria de responder às mudanças de mercado que manteve a performance positiva do café”, afirmou. Segundo a analista, o lançamento de novos produtos e a diversificação de canais de distribuição é que permitiram a manutenção do avanço.


O volume de 22,9 milhões de sacas calculado pela Euromonitor equivale a 1,1 milhão de toneladas. A empresa utiliza para os cálculos uma saca de 48 quilos, pois após a torrefação e a moagem o café verde perde umidade.


Conforme Angélica, as empresas do segmento fizeram gestão de seu portfólio para manter as vendas na crise. E ela sugeriu que essa estratégia perdure para que o crescimento se mantenha. Ela acrescentou que o comportamento do consumidor sofreu mudanças em decorrência da crise – como a busca de produtos mais baratos da mesma marca. E que essas “mudanças devem se perpetuar mesmo com a recuperação da economia”. Por isso, “buscar inovação para agregar valor é fundamental”, afirma a analista.