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A vez da tradição e da sustentabilidade no modo de preparar café

Quem aprecia um bom café sabe que existem vários fatores que influenciam a qualidade e o resultado final da bebida. Desde as variedades dos grãos até as formas de produção e torrefação, assim como os métodos mais adequados para extrair cada tipo de café. Nas edições anteriores, falamos sobre V60, Prensa Francesa, Chemex, Clever, Aeropress e Pressca. Agora é a vez dos populares e sustentáveis Coador de Pano e Cafeteira Italiana (Moka).


COADOR DE PANO

Eis o método de extração mais querido e mais usado pelos brasileiros. É indiscutível sua tradição! Os mais experientes podem torcer o nariz, mas ele sempre terá lugar nos lares brasileiros. A questão afetiva é o ponto principal, pois nos faz viajar no tempo ao trazer para nossas memórias afetivas o café da vovó, dos pais, um café de afeto.


O Coador de Pano é feito de uma malha de algodão em formato cônico com um anel de metal para segurar o tecido. Bem simples e prático de ser utilizado. Uma das questões mais favoráveis ao método é a sustentabilidade, pelo fato de não ter de ser descartado como o filtro de papel. Ele pode ser reutilizado algumas vezes, desde que se tome cuidados na higienização e que seja trocado depois de certo tempo.


Muitos perguntam qual o tempo-limite de uso. A barista Sandra Grizotto, que é fã do método, esclarece: “Recomendo trocar uma vez por mês, caso use diariamente, ou de três a seis meses se usa apenas algumas vezes na semana. Mas isso depende também do seu cuidado com o coador.”


HIGIENIZAÇÃO

Algumas pessoas deixam de usar o Coador de Pano por achar difícil mantê-lo limpo e sem bactérias; outros, assustadoramente, só realizam uma limpeza básica e o pano chega a ficar preto. Mas, como cuidar para ele durar mais tempo e não levar resíduos e contaminação à sua xícara? “Quando usar seu coador pela primeira vez, aconselho fervê-lo por uns dois minutos antes. Isso fará com que toda a goma do tecido seja retirada. Em seguida, lave-o em água corrente. Todas as vezes em que fizer seu café, escalde o coador antes. Ao terminar,

descarte a borra do café e lave em água corrente (sem nenhum tipo de sabão). Escalde novamente com água quente, espere escorrer, guarde dentro de um saquinho e leve-o ao congelador para não haver nenhum risco de criar bactérias”, explica, com detalhes, Sandra Grizotto.


Outra amante do método Coador de Pano, Célia Rabelo, complementa dizendo que a cada 15 dias coloca o coador em uma pequena panela, adiciona uma colher (de sobremesa) de bicarbonato, água e ferve por três minutos. “Isso o fará ficar mais clarinho novamente”, observa.


 
CAFETEIRA ITALIANA (MOKA)

Também conhecida como Moka, a Cafeteira Italiana foi inventada em 1933 por Alfonso Bialetti. Uma peça artística com design facetado, seu método revolucionou o modo de preparar café e fez com que o espresso se popularizasse na Europa, em especial na Itália. A história é bem interessante, pois seu criador teve um lampejo enquanto observava mulheres lavando roupas em uma espécie de máquina de lavar rudimentar, cuja água quente e sabão chegavam às roupas por meio de um tubo central. A água em ebulição fazia pressão e subia até os tanques. Percebeu a semelhança? Daí nasceu essa cafeteira/chaleira à base de vapor que está presente, até hoje, em 90% dos lares italianos. Aqui no Brasil, somente em 2018, foram vendidas 72 mil unidades.


A Moka (o nome é homenagem à cidade de Moca, no Iêmen, famosa pela qualidade de seu café) é um dos únicos métodos de extração que funcionam por pressão da água. É ideal para quem gosta de cafés mais fortes, intensos, encorpados e concentrados, como os tradicionais espressos.


Para quem ainda não conhece, o aparelho tem três partes: a de baixo é para a água (geralmente tem uma válvula de pressão); a do meio para o café em pó; e a de cima é para onde vai o café pronto.


DICAS DE ESPECIALISTA

A especialista em café e curadora do Achega Café (BH), Helga Andrade, conta que a cafeteira deve ser usada com chama baixa a média (tanto para controlar o aumento de temperatura como para evitar que o cabo se queime), e uma de suas vantagens é ter alta durabilidade e ser fácil de manusear: “O próprio equipamento já indica as quantidades de pó e de água que devem ser utilizadas.”


Ela completa dando as seguintes dicas: “Se quer um café mais parecido com o espresso, use uma moagem mais fina. Porém, se o objetivo for um café mais suave, pode-se usar uma moagem média/grossa, que é a minha favorita, por proporcionar um café complexo e encorpado, mas com um pouco mais de acidez para a bebida.”


É importante deixar a Moka esfriar e higienizar sempre, para evitar o acúmulo de resíduos. Uma curiosidade interessante: o design do equipamento representa a silhueta das mulheres da época. Uma bela homenagem!


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